22 November, 2008, 4:03:56

Luís Miguel

"A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO QUE NÃO PERMITE ENSAIOS. POR ISSO, CANTE, CHORE, DANCE, RIA E VIVA INTENSAMENTE ANTES QUE A CORTINA SE FECHE E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS." - Charlie Chaplin

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Duas novas medidas anunciadas pelo Governo

Outubro 31st, 2005 by Luis Miguel
Rescisões amigáveis vão perder direito ao subsídio de desemprego

O Governo pretende negar o subsídio de desemprego aos trabalhadores que rescindam o seu vínculo laboral por mútuo acordo.

Com esta medida o Ministério da Segurança Social quer impedir a repetição de processos de reestruturação, à semelhança do que aconteceu na Portugal Telecom e na EDP com “o despedimento, voluntário ou forçado, de milhares de trabalhadores”, que acabaram por constituir “um pesado encargo para a segurança social”, escreve o jornal.

No documento, entregue na sexta-feira passada, aos parceiros sociais, o Governo propõe algumas excepções no acesso ao subsídio de desemprego naquelas circunstâncias, nomeadamente para os processos de reestruturação, viabilização ou recuperação de empresas devidamente comprovados pelas entidades oficiais.

Estas e outras medidas já anunciadas pretendem aumentar as exigências ao desempregado subsidiado, combater a fraude do lado do beneficiário e da empresa e penalizar os desempregados com menos descontos para a segurança social.

Documento Único Automóvel começou hoje a ser emitido em Lisboa

O Documento Único Automóvel (DUA), que hoje começou a ser emitido em Lisboa, é “um projecto emblemático da eficiência da Administração Pública”, que permite aos cidadãos pouparem tempo e dinheiro.

Até Fevereiro do próximo ano, o DUA pode ser tratado apenas em Lisboa, substituindo o livrete e o registo de propriedade dos veículos. Os dois documentos custam aos cidadãos 50 euros e são tratados em dois locais diferentes. O DUA vai custar 30 euros e é adquirido apenas num local.

A partir de hoje passa a ser emitido o Certificado de Matrícula como documento único automóvel, juntando num só documento a informação que consta no livrete e no registo de propriedade. O atendimento é feito num balcão único a funcionar na Direcção Geral de Viação (DGV) e nas Conservatórias de Registos.

A partir de Fevereiro do próximo ano a rede estende-se aos postos de atendimento da DGV em todos os distritos e nas conservatórias dos registos automóveis de Lisboa, Porto Coimbra, Braga e Évora. Para “um futuro próximo” está prevista a apresentação dos pedidos de registo online e a sua tramitação por via electrónica.

O DUA tem um conjunto de elementos físicos de segurança, dificulta a falsificação e facilita a actividade fiscalizadora e promove a protecção do ambiente já que os veículos movidos a energias alternativas ou híbridos passam a ter isenções significativas, podendo mesmo ser gratuito.

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Mais do "Caso Felgueiras"

Outubro 31st, 2005 by Luis Miguel
Procurador-geral recebeu denúncia sobre pressões no Ministério Público

No início de 2003, o procurador-geral foi alertado para as “fortíssimas pressões de diversas entidades colectivas públicas e privadas”, numa exposição/requerimento remetida a Souto Moura pelo escritório do advogado Garcia Pereira, como representante das testemunhas que depois passaram a arguidos. Por isso, concluía o documento, o processo deveria ser avocado pelo procurador-geral. Já então eram sugeridas as pressões de que eram alvo aquelas testemunhas - recentemente também comunicadas pela PJ -, sendo igualmente relatados factos que envolviam um dos mais altos-quadros do MP, que desempenhava as funções de secretário-geral da Procuradoria-Geral da República na época em que foi remetida ao então procurador-geral, Cunha Rodrigues, a denúncia anónima que deu origem à investigação do “saco azul” do Partido Socialista.

Aquele magistrado - que actualmente é o representante de Portugal no “Eurojust” (organismo que coordena os departamentos da luta contra a corrupção no espaço europeu), depois de ter sido secretário de Estado da Justiça durante um dos governos do PS liderados por António Guterres - é suspeito de ter fornecido a Fátima Felgueiras uma cópia da denúncia enviada a Cunha Rodrigues, numa altura em que a PJ de Braga não tinha iniciado sequer as investigações.

O magistrado em causa tinha antes estado colocado no Tribunal de Felgueiras, altura em que fez amizade com o casal Fátima Felgueiras/Sousa Oliveira. O documento terá chegado às mãos da autarca durante uma deslocação daquele magistrado a Felgueiras, em 21 de Janeiro de 2000, para participar num jantar de homenagem a um funcionário judicial, facto que foi registado pela imprensa local.

Na exposição remetida a Souto Moura é-lhe ainda dado conhecimento “de conversas telefónicas ocorridas à porta do Tribunal de Felgueiras”, na madrugada em que a autarca saiu em liberdade após a detenção para primeiro interrogatório, “em que o sr. dr. Sousa Oliveira comunicava o seguinte: “Quanto ao processo, está tudo controlado aqui em Felgueiras e vamos resolver isto. Vai tudo correr muito bem, pode ficar descansado”. Segundo relata ainda aquele documento, Sousa Oliveira explicou de seguida ao assessor de imprensa da Câmara de Felgueiras que acabava de falar para Bruxelas, com o dito magistrado, concluindo: “Está tudo tratado e vai correr tudo muito bem”.

A PJ estranhou também o facto de o processo ter ido parar às mãos do procurador adjunto de Felgueiras depois de concluída a investigação - tinha sido sempre o procurador do Círculo de Guimarães a intervir nas fases decisivas do inquérito. Até porque o mesmo procurador, António Carvalho, tinha antes movido um processo-crime contra Horácio Costa, o ex-colaborador da autarca que é tido como a principal testemunha, com base num artigo de um jornal local - O Sovela -, no qual eram atribuídas a Horácio Costa afirmações como “há imensas pressões no processo” e “andam magistrados metidos nisto”, que Carvalho considerou ofensivas. Depois de constituído arguido, foi mesmo requerido julgamento contra Horácio Costa, mas o processo seria arquivado por decisão do juiz de instrução de Fafe.

Coincidência ou não, o facto é que o artigo em causa não era sequer assinado e O Sovela era propriedade de uma associação onde Sousa Oliveira teve cargos de direcção.

fonte: PUBLICO

No meio disto tudo o jornal não avança o nome do dito magistrado. Pelos dados indicados creio que trata-se do sr. dr. José Lopes da Mota, actual representante de Portugal no “Eurojust”.

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A Deusa das mil mãos

Outubro 31st, 2005 by Luis Miguel
Recebi este vídeo, onde 21 dançarinas chinesas interpretam a dança da “Deusa das Mil Mãos”. Com uma particularidade muito interessante: todas as dançarinas que participam são surdas! Fazem parte de uma “troupe” de artistas com deficiências físicas, neste caso auditivas, e obedecem a instruções gestuais de pessoas posicionadas nos quatro cantos do palco.

É simplesmente fantástico! Peço que percam 5 minutos do vosso tempo e espreitem o vídeo. Creio que não se arrependerão. É do mais bonito que já vi até hoje…

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Uma nova língua ?

Outubro 31st, 2005 by Luis Miguel
Alguém conhece este idioma específico? É que eu nunca ouvi falar em “Latim Porco”. Se algum entendido puder me explicar o que é e de onde vem, ficaria grato. Estamos sempre a aprender…

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Vítimas da repressão soviética recordadas em Moscovo

Outubro 31st, 2005 by Luis Miguel

(Foto: Sergey Ponomarev/AP)

Um grupo de activistas do Partido Nacional Bolchevique reuniu-se hoje em frente à antiga sede do KGB, em Moscovo, para prestar memória às vítimas da repressão política da era soviética. Os manifestantes depositaram flores e velas junto ao monumento Solovky, um enorme bloco de pedra proveniente de um campo de trabalho das ilhas Solovky, erigido na Praça Lubyanka, há 15 anos atrás, depois da queda da URSS.

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Bill Gates ou a história do homem mais rico do mundo

Outubro 30th, 2005 by Luis Miguel
Bill(ionário) Gates

Todos nós desejamos ser milionários, nem que seja por um dia. Há quem trabalhe arduamente, em jornadas de quase 24 horas, e quem guarde todos os tostões por debaixo do colchão, a fim de arrecadar mais uns trocos. Há também aqueles que preferem uma via mais fácil e que optam por usar outros meios menos legais para obter o tão desejado quinhão. E depois há ainda os que, simplesmente, nascem com o rabo virado para a Lua.

Pois, quem olha para William Gates III, provavelmente pensa que é um homem igual a muitos outros. Os óculos que um dia já foram desproporcionais à cara, o cabelo penteado à “tótó”, o sorriso tímido e a postura de low-profile que sempre fez questão em manter ao longo destes cinquenta anos, tantos quanto completou na passada sexta-feira, são a sua imagem de marca.
E a verdade é que ninguém seria capaz de imaginar que uma pessoa com esta imagem, alguém que não completou o curso universitário e que tem um aspecto de pseudo-intelectualóide “simplório”, é mesmo o homem mais rico do Mundo

Pois é, as aparências iludem, e no caso de Bill Gates é mesmo assim.

COMO NASCE UM BILIONÁRIO?

Segundo um provérbio italiano, existem três maneiras de fazer dinheiro: herdando-o, casando com ele ou roubando-o. Mas o patrão da Microsoft é muito mais esperto que isso e no que respeita à sua fortuna, essa começou a ser criada, há 50 anos e dois dias.

William Gates III nasceu na cidade de Seattle a 28 de Outubro de 1955. O seu bisavô, J. W. Maxwell, já era um homem dado a cifrões e fundou, em 1906, o Banco Nacional de Seattle. O avô, James William Maxwell enveredou cedo pela carreira de bancário e foi ele que “ofereceu” o primeiro milhão de dólares a Bill Gates, através de um fundo criado por altura do seu nascimento.

O pai, William Henry Gates Jr, cedo se tornou num proeminente advogado corporativo e a mãe, Mary, era professora. O casal fazia parte da elite social e financeira de Seattle, por isso, Bill e as suas duas irmãs nunca sentiram grandes dificuldades, pelo menos no que se refere à questão económica.

Mas o jovem Bill era já uma pessoa um pouco à parte, mesmo quando criança. Numa entrevista à Revista Time, o patrão da Microsoft conta que passava muito tempo na cave de casa simplesmente a pensar. A mãe, preocupada, mandou-o a um psicólogo, mas não foi encontrada solução para o problema… Era feitio, não defeito e não valia a pena entrar em ruptura por causa disso.

Os pais optaram por outro tipo de estratégia: matricularam-no na escola de Lakeside, um dos mais caros e selectos estabelecimentos de ensino de Seattle. Com 13 anos, e com uma máquina semelhante à que os cientistas da Universidade de Stanford e do MIT - Massachussets Institute of Technology, a DEC PDP-10, Bill descobriu o “milagre” da tecnologia e esse foi mesmo o princípio de tudo. Foi também em Lakeside que Gates conheceu Paul Allen, com quem mais tarde fundaria a Microsoft. Os dois amigos, juntamente com outros dois “hackers”, formaram, em 1968, o “Lakeside Programmers Group” e, mais tarde, apenas com Allen, criou a Traf-O-Data, uma empresa que durou até 1973.

O jovem Gates era um aluno de “20″, tido como um rebelde que nem pegava nos livros. Mas a sua preocupação ia muito além das notas e dos relatórios dos professores. Com apenas 17 anos, Bill vendeu o seu primeiro programa informático (um programa de organizar horários) pela bela soma de 4 mil e duzentos dólares.

Depois, com o final do secundário, veio a universidade. Sem problemas em termos de notas ou de dinheiro, e mesmo sem saber bem aquilo que pretendia, o futuro bilionário inscreveu-se em Direito na Universidade de Harvard. E até que se saiu bem, no mesmo modo com que passou os anos de liceu, mas era mais que evidente que o seu coração e cabeça não estavam nos livros. Mantendo-se em estreito contacto com o amigo de infância, Paul Allen, juntos criaram a primeira linguagem de programação para computadores: o BASIC e foi este instante na história que marcou a diferença.

O PRINCÍPIO DE UM IMPÉRIO

Gates e Allen depressa começaram a pensar na criação de uma empresa de software, mas Bill não sabia ao certo se devia ou não desistir da faculdade. Mas tudo iria mudar em 1974, quando se deparou com um exemplar da revista “Popular Science” que fazia capa com o “Altair 8800″, intitulado como o primeiro microcomputador do Mundo. Dias depois, Bill Gates entrou em contacto com a MITS, empresa criadora do “Altair” e informou-os que ele e Allen tinham criado uma linguagem BASIC que poderia ser utilizada por aquela máquina. A MITS gostou tanto do programa que depressa adquiriu os direitos da referida linguagem de programação. Foi este o momento decisivo para Bill Gates: desistiu de Harvard e, com Paul Allen, fundou a Micro-Soft em 1975, empresa que mais tarde passaria a ser conhecida como a Microsoft Corporation.

O mercado do software estava mesmo nos primórdios, mas a dupla era perfeitamente visionária e sabia que, mais cedo ou mais tarde, o sucesso iria bater-lhes à porta. E não demorou assim tanto. Em 1980, a IBM assinou um contrato com a Microsoft para que esta criasse um sistema operativo que seria instalado nos computadores pessoais (PC) que estavam prestes a ser comercializados. Porém, a empresa de Gates e Allen não tinha, até à data, nenhum sistema do género, então a opção foi comprar um clone do então existente CP/M a uma pequena empresa de Seattle. O sistema chamava-se QDOS, mas a Microsoft renomeou-o de MS-DOS e vendeu-o à IBM.

Com o crescente mercado de computadores e com uma série de máquinas semelhantes às produzidas pela IBM (caso da Compaq) e devido a uma “benesse” contratual, a Microsoft foi premiada com o facto de poder vender o sistema operativo a outros fabricantes de PCs. Depressa a empresa familiar de Gates e Allen passou a dar cartas na indústria dos computadores, tornando-se uma das mais importantes criadoras e fornecedoras de software.

Em 1986, os lucros eram já de 61 milhões de dólares. Paul Allen, já milionário, decidiu optar pela reforma mais que antecipada, mas Gates não quis abandonar a Microsoft e decidiu apostar naquilo que lhe parecia ser o futuro: a ligação de computadores em rede.

No final dos anos 80, o lançamento do Windows colocou a Microsoft no top das maiores empresas de software do Mundo e em meados dos anos 90, foi este gigante informático que colocou Bill Gates na lista dos Homens Mais Ricos do Mundo, da Revista Forbes (em 2004 continuava no topo da lista com cerca de 50 biliões de dólares). O sucesso das várias versões do Windows, a cada vez maior proeminência da Internet e, claro, do Internet Explorer, a criação da consola XBox, entre muitos outros aspectos continuam a fazer com que Gates seja sem dúvida um dos homens mais visionários de todos os tempos, pelo menos no que toca a tecnologia.

HOMEM DE FAMÍLIA E SOLIDÁRIO

Apesar daquela que para muitos é perfeitamente inimaginável fortuna de perto 50 biliões de dólares, aos 50 anos Bill Gates continua a ser um homem de princípios, que preza a sua privacidade e a sua vida familiar e que, acima de tudo, é considerado o maior filantropo do Mundo.

Casado com Melinda French desde 1994, Gates tem três filhas, actualmente com 9, 6 e três anos. Retirado de director da Microsoft (Steve Ballmer assumiu este cargo em 1998), mas continuando com um papel activo na mega-empresa que criou, aquele que é o homem mais rico do Mundo arranjou outros interesses ao longo dos tempos. Investiu em empresas de biotecnologia e fundou a Corbis, que está a desenvolver um arquivo digital de peças de arte e fotografias provenientes de colecções públicas e privadas de todo o Mundo. Conseguiu também arranjar tempo para escrever dois livros, “Negócios à Velocidade do Pensamento” e “The Road Ahead”, que depressa atingiram a lista de grandes best-sellers.

Mas o maior espanto vai mesmo para a Fundação Bill e Melinda Gates, uma instituição de solidariedade social cujos fundos se revertem em favor de bolsas de estudo para algumas minorias raciais, apoios a famílias em risco, construção de bibliotecas públicas e investigação médica. Só nesta fundação, Bill Gates despendeu 27 biliões, por isso não podemos mesmo chamá-lo de forreta, nem de egoísta, já que de três em três meses ele vende 20 milhões de acções da Microsoft e reinveste em empresas como os caminhos-de-ferro canadianos ou a Cox Communications.

Quanto ao futuro, esse está bem guardado, embora já se preveja que a próxima versão do Windows, intitulada Vista (anteriormente Longhorn), esteja pronta em 2006 e que a aposta da Microsoft na criação de software de certeza não ficará por aí.

Até lá, Bill Gates continuará resguardado, no seu “palácio” em Medina, Washington, uma verdadeira casa do século XXI, “inteligente” como há quem goste de chamar, já que a tecnologia não é algo que falte. E se as ideias acabarem, ele poderá sempre passar o tempo a contar todos os seus tostões, como faz o Tio Patinhas nas histórias da Disney…

in “DN Madeira”

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Uma difícil viagem de regresso a casa

Outubro 30th, 2005 by Luis Miguel

(Foto: EPA)

Um passageiro tenta entrar para o interior de um comboio sobrelotado, através de uma pequena janela, apenas alguns minutos antes da partida do comboio da estação de Jacarta em direcção a Surabaya. Milhões de pessoas começaram a abandonar a capital indonésia a fim de celebrarem o feriado de Eid El-Fitr - que marca o fim do Ramadão - com as suas famílias, nas cidades de onde são originárias.

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Terramoto de Lisboa: nove minutos que abalaram o mundo

Outubro 30th, 2005 by Luis Miguel
Terão morrido dez mil dos 250 mil habitantes da capital

É dia 1 de Todos os Santos e a manhã de sábado, 1 de Novembro de 1755, surgiu límpida e amena, ainda a lembrar um longo Verão sem pinga de chuva. “Os ares da atmosfera estavão mui subtis e puros”, registou um lisboeta. “Fazia um tempo sereno e o céu não tinha uma nuvem”, descreveu um comerciante inglês.

A temperatura ronda os 18 graus. É dia de missas e o povo de Lisboa - muita da nobreza ainda goza o bom tempo fora da cidade - enche as igrejas. D. José passou a noite na Real Casa de Campo de Belém e conta ir aos Jerónimos. Pouco depois das nove e meia, “um rugido surge das entranhas da terra”, como o “som de carruagens conduzidas com violência”. Um abalo sacode Lisboa por minuto e meio. Pouco depois, a terra volta a tremer com mais força durante mais de dois minutos. Os edifícios, muitos de três e quatro andares, começam a ruir com estrondo. A acalmia dura um minuto. Segue-se nova réplica, “que dura uma eternidade” - três minutos. O pico da crise sísmica teve três impulsos, demorou nove minutos e, sabe-se hoje, terá tido uma magnitude de 8,7 da escala de Richter.

Um inglês, residente numa casa de quatro pisos, descreve assim os primeiros momentos do abalo: “o movimento era tão violento que eu me mantinha de pé com dificuldade. Toda a casa rachava à minha volta, as telhas chocalhavam lá no cimo; as paredes despedaçavam-se por todos os lados. (…) ouvi aterrorizado a queda das casas à volta e os gritos e choros de pessoas vindos de todos os lados”.

Danos incalculáveis

Grande parte de uma das mais opulentas capitais da Europa está no chão. Pouco resta da parte baixa, do Rossio ao Terreiro do Paço as muitas casas de três e quatro andares e os casebres dos bairros sobrepovoados que acompanhavam as colinas vieram por aí abaixo. Os símbolos também caem: o Palácio Real da Ribeira, com os seus armazéns de especiarias e a sua grande biblioteca, desabou em parte e, no Rossio, ruiu o da Inquisição - hoje lembrado na varanda de pedra retirada dos escombros que decora a sede do Grémio Lusitano, do outro lado da praça.

Dos 65 conventos de Lisboa, só cinco ficam em condições de dar abrigo aos milhares de desalojados. No Carmo ficam de pé os arcos góticos, mas as abóbadas despenham-se sobre os crentes que assistiam à missa. Mais de 30 palácios vêm abaixo, como o dos duques de Bragança, o maior de Lisboa (ao fundo da Rua António Maria Cardoso). Cai a Ópera do Tejo, perto da Ribeira das Naus, inaugurada apenas há sete meses. Caem prisões, como a do Tronco e do Limoeiro. Os seis hospitais da cidade estão no chão. No grandioso Hospital de Todos os Santos, no lado nascente do Rossio, dez acamados ficam sob os escombros.

Das cerca de 20 mil casas de Lisboa, mais de duas mil foram destruídas e apenas três mil continuam habitáveis. As freguesias mais afectadas são S. Miguel, Sto. Estêvão, S. Paulo, S. Nicolau, Sta. Catarina, Mártires, Sacramento e Encarnação. Das 40 igrejas paroquiais (algumas de interiores riquíssimos, como a Patriarcal) 35 ficam destruídas. Em Alcântara a terra fende-se, libertando “um vapor sulfuroso”. Coisa admirável: o aqueduto, acabado sete anos antes, aguenta-se. O céu azul desapareceu sob a poeira escura dos aluimentos e a calma do dia santo sob os gritos dos sobreviventes. O resto é um monte de ruínas.

Thomas Chase, outro britânico que sobreviveu, apesar do quarto andar em que se encontrava ter ruído, descreve o que vê ao sair à rua logo após os primeiros tremores: “as pessoas estavam todas em oração, cobertas de pó, e a luz aparecia como se tivesse estado um dia muito escuro”. “Nesta aflição se ouvião fervoríssimas confiçõens em público de culpas cometidas”, refere outro testemunho. Outro comerciante, de origem francesa, Jácome Ratton, é quase cinematográfico quando descreve a surpresa com que, ao sair à rua, pôde observar as pessoas correndo ainda em camisa no interior das casas cujas paredes fronteiras desabaram. Nas ruas correm sobreviventes desvairados, fugindo dos desabamentos que se sucedem. E “nem havia distinção de sexo, idade, nascimento ou fortuna” (mercador Thomas Jacomb). Outros procuram nos escombros familiares aprisionados. Uma menina loura de três anos sobreviverá sete horas ferida sob os escombros.

Procura-se segurança nos poucos largos e praças, no alto de Sta Catarina, na Cotovia (ao Príncipe Real), no Campo Grande. Os que vão para as bandas do rio - uma multidão junta-se no Terreiro do Paço, onde se vêem “pessoas quase nuas” e padres ainda paramentados, e também no Largo de S. Paulo - são colhidos por uma onda enorme que por pouco afogava os vigias do Bugio.

Não se sabe ao certo, mas o sismo terá vitimado dez mil dos cerca de 250 mil habitantes de Lisboa, sobretudo gente das classes mais baixas dos bairros populosos - S. Nicolau, Sta Justa, Socorro, Santos, Encarnação, Alfama ou Castelo. Entre a comunidade britânica, a maior da cidade, registam-se 77 vítimas. Contam-se pelos dedos as figuras de grande destaque que sucumbiram aos abalos. O embaixador de Espanha, entalado sob escombros, é uma delas. Os prejuízos - escreve-se na História de Lisboa, de Dejanirah Couto - ultrapassarão 1500 milhões de libras.

Depois da terra, o mar

Noventa minutos depois do terramoto, seriam umas 11h00, dá-se uma forte réplica e o Tejo, que estava na vazante, retira-se para o largo, ao ponto de se lhe ver o fundo, para logo voltar numa vaga enorme com “mais de 20 pés de altura” (seis metros), varrendo de lama e restos de embarcações as zonas baixas. “Enquanto a multidão estava reunida próximo da margem do rio, a água subiu a uma altura tal que ultrapassou a inundou a parte baixa da cidade… os barqueiros ao serem sacudidos dos barcos para terra pelo subido avanço da água, saltaram para a margem para se salvarem, sendo os seus barcos imediatamente levados pelo mar em retirada, que vazou e encheu, vazou e encheu, em quatro ou cinco minutos… Foi surpreendente observar vários navios grandes, que estavam em seco na Boavista, a desencalhar e a serem levados rio abaixo” (comandante de navio inglês). Segundo o embaixador dos Países Baixos em Lisboa, “no rio a maré subiu e desceu cinco ou seis vezes”.

No Tejo apareceu “uma enorme massa de água a erguer-se como uma montanha” que arrastou muitos com ela. Alguns barcos fundeados, apanhados em redemoinhos, mergulham a pique no fundo. A zona de Belém foi das mais inundadas. O pároco da Cruz Quebrada regista que o mar “três vezes entrou pela terra dentro” e “com tanto ímpeto que botou abaixo as guardas da ponte”.

Depois do mar, o fogo

Horas depois dos abalos, outro véu encobre o céu azul. Os círios e as velas dos altares e os fogões das casas atearam fogos que lançam no ar rolos negros de fumo. Arde o palácio do marquês de Louriçal, arde a Igreja de S. Domingos, arde a Boa Hora. A brisa de Nordeste junta os fogos isolados. As cinzas volteiam no ar para se depositarem pelas ruas e praças. Os muitos vagabundos e marginais que rondavam as vielas, ou fugiram das cadeias, assustam com falsos alarmes os moradores que encontram, assaltam-lhes as casas danificadas e propagam os incêndio. Um francês desertor (da Guerra da Sucessão da Áustria) confessará mais tarde ter deitado fogo à riquíssima Casa da Índia. Um “mouro” da cadeia da Galé que ateara chamas em sete sítios. Mas o saque não dura muito. Seis novas forcas são erguidas em Lisboa e com elas “cessou com brevidade o escândalo de tantos roubos”, regista em 1758 o arquivista da Torre do Tombo Moreira de Mendonça. Nesse Novembro, 34 suspeitos de pilhagem serão enforcados.

As casas de madeira, que tinham aguentado de pé, sucumbem às chamas. À tarde, a cidade é “um gigantesco braseiro”. O incêndio lavra cinco dias e vê-se de Santarém. Chegara “o último dia do mundo”, dirá Voltaire. Entontecidas pelo espanto e pelo fumo, assustadas pelos boatos - o terramoto ia repetir-se, o paiol do Castelo ia rebentar - milhares de pessoas em fuga entopem as saídas da cidade. Fogem para os arredores e para as quintas. De tarde, o centro de Lisboa fica deserto. Só um oficial adolescente, cujos soldados desertaram, se mantém no posto de guarda à Casa da Moeda.

O padre Manuel Portal, que em 1756 escreveu uma História da Ruína da Cidade de Lisboa, estava na Rua Nova do Almada quando se deu o desastre: “Fiquei enterrado, porém sem pedra nem pau me dar na cabeça. Nesta ruína estive enterrado até acabar o terramoto”. É salvo por outros membros da sua congregação. Com uma perna ferida é levado em braços por dois homens. Dali até às portas de Santa Catarina (ao Camões) é só escombros. “Voltei ao Loreto, pelo impedimento que achei na travessa da Trindade pois estava derrubada a igreja… Cheguei a São Pedro de Alcântara não encontrando senão mortos e ruínas”, descreve.

A vida continua

A cidade pasmou-se e horrorizou-se com a extensão do desastre, mas hoje considera-se que o número de vítimas foi pequeno para a magnitude do abalo. “Tivesse a consternação geral sido menor, não só muitas vidas como bens poderiam ter sido salvos”, critica o comerciante britânico já citado, incomodado com o espectáculo de muita gente, entre cada abalo, “a atormentar os moribundos” com ladainhas e gritos de misericórdia. Só terão acalmado com a notícia de uma aparição da virgem na Penha de França “acenando um lenço branco ao povo”. Lisboa vai tornar-se um enorme acampamento, com tendas feitas de velas vindas da Ribeira das Naus ou os tapetes tirados das casas. Os padres rondarão as ruínas e à dor juntarão o medo, dizendo que o desastre foi castigo divino e exigindo penitências. Já tinham feito o mesmo em 1531.

O futuro ser-lhes-á propício: nos seis meses seguintes serão sentidas mais 250 réplicas. Antes de ser queimado, o missionário Malagrida opunha-se mesmo à reconstrução de Lisboa, que Deus destruíra devido à brandura para com os hereges. Havia mesmo quem acusasse os que se tentavam recompor de “lutar contra o Céu”. Para outros, como Cavaleiro (Francisco Xavier) de Oliveira, fora a beatice lusitana e a Inquisição a causa do castigo. É “notável que um desastre desta dimensão não tenha resultado em fome generalizada ou epidemias”, mesmo tendo em conta a cremação causada pelo incêndio de Lisboa, nota o geofísico João Duarte Fonseca na sua obra 1755 O Terramoto de Lisboa.

No próprio dia 1 de Novembro dois vereadores foram mandados para o Terreiro do Paço e a Ribeira distribuir à população comida arrancada às ruínas, peixe do Tejo e mantimentos vindos do termo de Lisboa. “Para obstar à especulação foi determinado por edital aos comerciantes que mantinha actividade que os preços dos mantimentos deveriam ser os correntes no fim do mês de Outubro”, refere. O rei fica tão abalado que não voltará a Lisboa nos 20 anos seguintes. E nunca mais habitará casa de alvenaria, preferindo um palácio de madeira, na Ajuda.

in “PUBLICO”

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Não se esqueçam…

Outubro 30th, 2005 by Luis Miguel
Anoitece mais cedo a partir de hoje

Esta madrugada os ponteiros atrasaram 60 minutos. Às 2:00 em Portugal continental e na Madeira e à 1:00 nos Açores, o tempo recua uma hora, dando início ao horário de Inverno.

Um ajuste que é feito ao mesmo tempo em toda a União Europeia, enquanto que nos Estados Unidos, a mudança é feita às 2:00 da manhã, de acordo com a hora legal de cada uma das regiões.

A hora legal em Portugal continental e Madeira, tal como em Londres, Edimburgo e Dublim é fixada pelo fuso horário de referência, a partir do qual são calculadas todas as outras zonas horárias do Mundo. Nestas regiões, o horário de fuso universal de referência tem como linha central o meridiano de longitude igual a 0°, que passa em Greenwich, arredores de Londres, o que fez com que fosse conhecido até 1970 como GMT (Greenwich Mean Time), designação que foi substituída por Universal Time Coordinated (UTC).

Assim, às 2:00 da madrugada de hoje, a hora legal em Portugal (com excepção dos Açores), e nas cidades de Londres, Edimburgo e Dublim passa a ser 1:00.

Já em Paris, Madrid, Amsterdão, Berlim, Copenhaga, Viena, Roma e Bruxelas, existe um diferença horária de uma hora (a mais), pelo que, à 1:00 em Lisboa (na hora nova), os relógios marcarão naquelas cidades 2:00.

Em Nova Iorque, os ponteiros só serão ajustados mais tarde, já que existe uma diferença horária de cinco horas (a menos). Assim, quando os ponteiros forem atrasados para a 1:00 no nosso país, naquela cidade dos Estados Unidos serão ainda 21:00 do dia 29 de Outubro, ficando a uma diferença de quatro horas, uma vez que a mudança de hora naquela cidade apenas acontecerá às 2:00 locais (6:00 em Lisboa).

À 1:00, no Funchal, serão 23:00 no Rio de Janeiro e 22:00 em Caracas. De 29 de Outubro.

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Paquistaneses aguardam ajuda

Outubro 29th, 2005 by Luis Miguel

(Foto: Lefteris Pitarakis/AP)

Fahra Razak e o seu filho de três anos de idade, Adnan, são duas das vítimas do sismo que assolou o Paquistão no passado dia 8 e aguardam agora a ajuda internacional. A ONU afirmou que no Norte do país mais de dois milhões de pessoas não têm alimentos e que as verbas para apoiar as vítimas são escassas.

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