O fenómeno Tokio Hotel
Luis Miguel
Ontem fui almoçar ao Vasco da Gama. Embora fosse um Domingo (dia predilecto para os alfacinhas passearam nos centros comerciais), notei um movimento anormal de "teens", mais precisamente de jovens adolescentes. Não tinham mais de 15, 16 anos. Para mais, a maioria vestia t-shirts pretas, vermelhas ou azuis, saias curtas e penteados à Amy Winehouse num dia bom. Lembrei-me! Era dia dos Tokio Hotel. A banda alemã dos gémeos Kaulitz dava o seu segundo concerto em Portugal, o primeiro em nome próprio, depois do adiamento em Março devido a um quisto nas cordas vocais do vocalista do grupo.
O que mais impressiona nos Tokio Hotel, para além do penteado à Dragonball de Bill Kaulitz, é mesmo as suas fãs! Há imenso tempo que não assistia a uma euforia tão grande e tão generalizada por causa de uma banda. E ontem fui exemplo disso.
Margarida Silva, de 15 anos, veio do Algarve faz hoje oito dias e garante que foi das primeiras a chegar a uma das portas laterais do pavilhão, às 5.30 horas da manhã de domingo. Está com mais sete amigas, algumas de Lisboa, que conheceu em concertos anteriores. Têm feito "turnos", vão a casa tomar banho "e comer uma sopa, para variar da fast-food", mas ela não arreda pé. "Quero um sítio específico, em frente ao prolongamento do palco, onde só cabem 12 pessoas", diz, explicando que estão a fazer uma lista com os nomes de todos os que já ali estão (ontem, eram mais de 200, na maioria, raparigas) para evitar confusões na hora de entrar. - in Jornal de Notícias
Marlene Sanches, de 14 anos, residente no Pinhal Novo, nem sequer vai a casa. Faz a higiene diária na casa de banho do centro comercial Vasco da Gama e tem um sonho para concretizar durante o concerto: "Quero ser diferente. Toda a gente vem com cartazes. Eu vou atirar um sutiã preto para cima do palco. Quero ver qual vai ser a reacção do Bill", dizia, perante o espanto das amigas. - in Jornal de Notícias
Helena Dias, de 13 anos, chegou ontem de Famalicão e, apesar de ser diabética e ter de injectar insulina cinco vezes ao dia, não trouxe tenda para dormir, nem sequer um chapéu para se proteger do sol. - in Jornal de Notícias
Duas amigas açorianas vieram para Lisboa na passada sexta-feira só para os ver. Porquê? "Porque são a nossa banda favorita e são muito giros", referiu ao DN uma das fãs. Ana Rita, que veio da Amadora, é mais ousada e chega a dizer que "são a perfeição em pernas." - in Diário de Notícias
Para não perderem lugar nas primeiras filas "fazemos turnos de duas a duas para ir à casa de banho ou para comer", explicou Verónica, de 12 anos, uma das muitas fãs que se encontram acampadas há dias nas imediações do pavilhão. Quanto aos banhos há quem já tenha utilizado "aqueles vulcões que deitam água", explicam "Temos que nos desenrascar de alguma forma", exclamam. - in Diário de Notícias
Na verdade, julgo que nem o quarteto Bill Kaulitz, Tom Kaulitz, Georg Listing e Gustav Schäfer, quando à 8 anos atrás criaram os Tokio Hotel, imaginariam tal histeria à sua volta. Mas, se olharmos bem ao panorama actual da música e relacionarmos com a idade dos membros da banda (18 e 19 anos), facilmente conseguimos perceber a fácil ligação/devoção que existe entre eles e o público. Goste-se ou não se goste, os Tokio Hotel estão mesmo aí para ficar.
Eu tive oportunidade de os ver e ouvir no Rock In Rio, no passado dia 1 de Junho. E, tenho de confessar, gostei do que ouvi. Não é nada de assombroso (ou novo sequer), mas é bom. E a máquina por detrás dos Tokio Hotel é brutal. E, quer queiramos quer não, a figura de Bill Kaulitz é, de facto, fascinante.
Posted in Musica |
4 Comments »










