22 November, 2008, 4:39:49

Luís Miguel

"A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO QUE NÃO PERMITE ENSAIOS. POR ISSO, CANTE, CHORE, DANCE, RIA E VIVA INTENSAMENTE ANTES QUE A CORTINA SE FECHE E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS." - Charlie Chaplin

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Paul Newman (1925-2008)

Setembro 29th, 2008 by Luis Miguel

 

Actor, autor, argumentista, director, produtor e generoso filantropo, assim se definirá Paul Newman. Aos 83 anos, depois de no ano passado ter anunciado a sua saída do mundo do cinema, não resistiu a um cancro de pulmão. Morreu em casa, junto da sua família, com queria, depois de há de um mês o próprio ter decidido interromper os tratamentos de quimioterapia a que estava a ser sujeito num hospital de Nova Iorque.

Nascido num subúrbio de Cleveland, a 26 de Janeiro de 1925, foi aos 26 anos que começou a dar os primeiros passos na actuação. Ao longo dos 50 anos que seguiram, Newman interpretou papéis memoráveis em filmes como "Gata em Telhado de Zinco Quente" (1958), "The Hustler" (1961), "Butch Cassidy and the Sundance Kid" (1969), "The Sting" (1973) ou "Torre do Inferno" (1974). Recebeu dez nomeações para os Óscares ao longo da sua carreira, tendo finalmente sido distinguido em 1987 com o Óscar para melhor actor principal pela sua interpretação em "A Cor do Dinheiro". Além da carreira de actor, Newman realizou ainda quatro filmes, todos com a participação da mulher Joanne Woodward, com quem estava casado desde 1958.

O mundo despede-se do "Mr. Blue Eyes", com a certeza que o seu nome e obra não serão esquecidos.

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O Primeiro Golo!

Setembro 29th, 2008 by Luis Miguel

 
402 minutos foi o tempo que o Marítimo levou a marcar o primeiro golo oficial da época 2008/2009. E valeu três saborosos e importantes pontos, frente a uma Académica de Coimbra que veio sobretudo para defender. Marcinho, aos 42 minutos da primeira parte, a passe de João Luíz, isolou-se e perante o guarda-redes dos estudantes, desta vez não vacilou e marcou mesmo.

É um facto que merece destaque. Esperemos que seja o primeiro de muitos!


(fonte: futebol.videos.sapo.pt)

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Quem mente melhor?

Setembro 27th, 2008 by Luis Miguel

 
Num programa da TV espanhola, propuseram ao desafio de comprovar quem fingia melhor… se os homens, se as mulheres. Por isso fizeram um casting com miúdos para um anúncio de um iogurte. Ao mesmo tempo que provavam o iogurte, os meninos e as meninas tinham que dizer "Iogurtes Glotone! Que ricos!". O truque é que o iogurte estava cheio de sal…

Vejam quem finge melhor…

Serão os meninos?

Ou serão as meninas?

Falsas… as senhoras! Eheheh!

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Marítimo e Nacional

Setembro 26th, 2008 by Luis Miguel

 

Duas notícias chamaram-me hoje à atenção no Diário de Notícias da Madeira. A primeira refere que o "Governo manda alterar projecto de remodelação dos Barreiros" enquanto que na segunda pode ler-se que "Afinal havia outro… no ‘offshore‘". Mas vamos por partes.

O primeiro artigo refere que o Conselho de Governo "decidiu hoje eliminar algumas infraestruturas do projecto de remodelação do Estádio dos Barreiros", sustentando que "o clube possui algumas das infraestruturas projectadas para os Barreiros enquanto outras existem em quantidade suficiente na Região", recordando ainda "as actuais dificuldades financeiras da Região". Confesso que não consigo perceber. Como é possível que um concurso público que já está a decorrer, onde 12 empresas já levantaram o caderno de encargos para concorrer, seja confrontado com alterações ao seu projecto? Mas que alterações? Andamos em saldos?

Depois do que fizeram no estádio da serra, onde nem sequer houve projecto final - e para uma construção em zona verde! - onde o dinheiro (dos contribuintes) foi entrando à medida que a obra ia sendo feita (para não falar em todos os acabamentos de luxo implementados), ainda existe a lata de promover alterações a um projecto já modesto por natureza? Ainda por cima para a construção de um estádio no coração do Funchal, para o clube madeirense com maior representação exterior? Andamos a brincar é?

Na segunda notícia, o DN utiliza excertos de um artigo publicado na edição desta semana da revista ‘Sábado’, para dar conta de que o CD Nacional está a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, e que Rui Alves, presidente do Nacional, outros directores do clube, os treinadores José Peseiro, Casimiro Mior e Manuel Machado, e alguns jogadores como Miguelito, Ricardo Fernandes, Paulo Assunção e Rossato poderão ser constituídos arguidos já durante o mês de Outubro. A razão é o recurso aos contratos de imagem assinados com recurso a empresas sediadas em ‘offshores’, durante os anos de 2001 a 2005, exactamente nos mesmos moldes que os responsáveis do Marítimo foram indiciados no início do ano.

A ‘Sábado’ destaca ainda que o ex-Procurador no Funchal, Carlos Santos, sabia do processo aberto no DIAP e que, numa busca da PJ "à casa de Rui Alves, em 2006, e encontrou lá o procurador", que por sua vez já está a braços com vários processos abertos pelo Conselho Superior de Magistratura. O que é ainda mais grave já que indicia traços de corrupção activa e passiva de órgãos judiciais.

Como é que é o mesmo aquele ditado? Quem cospe para o ar…

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A morte do Sistema II

Setembro 26th, 2008 by Luis Miguel

 

Vários bancos centrais europeus anunciaram hoje a extensão dos seus acordos de “swap” com a Reserva Federal dos EUA (FED), para “acalmar as tensões” nos mercados financeiros, anunciou Banco Central Europeu (BCE). Ao abrigo destes acordos, já foram injectadas até agora centenas de milhares de milhões de dólares nos mercados interbancários. Serão aumentadas em dez mil milhões de dólares as linhas de “swap” da Fed com o BCE e em três mil milhões de dólares os acordos com o banco central suíço. (notícia in Público)

Um acordo “swap” permite aos bancos centrais emprestarem-se reciprocamente liquidez a curto prazo, quando um ou outro precisa desta divisa para estabilizar o sistema financeiro do seu país. E desta forma lá temos o Estado a intervir para regularizar os mercados que já não funcionam por si mesmos.

Normalmente estas transacções ocorrem de forma natural entre os bancos privados, comprando e vendendo dinheiro uns aos outros. Mas o clima de desconfiança é tão grande que já ninguém compra e muito menos vende. Com o mercado cambiário estagnado, não há dinheiro a circular, não há empréstimos ou coberturas, não há investimento. O resultado é um encarecimento do dinheiro e uma subida de spreads, taxas e juros. E isto acontece porque os mercados andam a viver "acima" das suas possibilidades. Transacciona-se com dinheiro que não existe, contabiliza-se margens de lucros que não existem, aumenta-se o preço/custo da actividade para níveis astronomicamente irreais. É como comprar uma moeda de 2 euros a 200 euros.

No final do dia o que temos, na realidade, é uma moeda de 2 euros. Nada mais.

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A morte do Sistema I

Setembro 25th, 2008 by Luis Miguel

 

O plano da presidência de Bush para salvar a economia americana (e por arrasto a do mundo) é, imagine-se, uma injecção de 700 mil milhões de dólares (cerca de 475 mil milhões de euros), com o objectivo de adquirir os créditos "podres" do mercado imobiliário – os empréstimos de alto risco que não vêm sendo pagos pelos mutuários.

Embora Bush venha dizer que “este esforço de salvamento não visa preservar as empresas ou as indústrias de certos indivíduos" e que "visa preservar a economia norte-americana em geral”, a verdade é que, está a salvar os verdadeiros responsáveis por esta crise, como a Morgan Stanley, a Merrill Lynch, o Citigroup, os Fannie Mae e Freddy Mac, a Lehman Brothers, e outras especuladoras de mercado. E sem esquecer que esta operação irá onerar em mais 14% a dívida do estado norte-americano - o que significa que estará a onerar os cidadãos que irão sentir no inevitável aumento dos impostos e taxas subsidiárias.

Ou seja, compram os créditos mal parados e incobráveis destas empresas, que durante anos usaram e abusaram de "produtos, estratagemas, créditos, juros hipotecários" - os mesmos créditos que estavam a causar a desvalorização destas empresas - e restauram a sua firmeza económica e financeira para, daqui a alguns anos, voltarem ao ponto de partida. Esta política neo-liberal, de que o Estado não pode ou não deve intervir nas relações de mercado (lembram-se da teoria da Mão Invisível de Adam Smith?), tem dado azo a uma balbúrdia e uma euforia especutativa mercantil nunca vista. São crises atrás de crises, sendo que, quem acaba por se lixar é o mexilhão, ou seja, todos nós. Ficamos à mercê da ganância, dos esquemas e fraudes

Este sistema já causou danos vários que, mais tarde ou mais cedo, acabam sempre snuma intevenção financeira do Estado. A Primavera de 1997 abalava os mercados do leste asiático foi acalmada com a intenvenção estatal. Em 2002 o escândalo da "WorldCom", uma megafraude de mil milhões de dólares entre 1997 e 2001, que veio a apressar o crash e o subsequente colapso da indústria das telecom e das dot.com, acabou numa regulação do mercado pelo Estado. Actualmente, a crise do mercado imobiliário só será safa com a intervenção directa das instituiçãos governamentais. E depois? Limpamos a "ficha" destas empresas e voltamos ao mesmo?

E não nos esqueçamos: estamos a falar da maior economia do novo mundo globalizante, que nos afecta a todos, estejamos em Portugal ou na Nova Zelândia. Como aponta Robert Brenner, Director do Centro de Teoria Social e História Comparada da UCLA, com a entrada dos EUA no seu declínio cíclico, o resto do mundo foi também arrastado. Sob o impacto da diminuição das importações americanas, as economias do Japão, Europa e leste asiático começaram a perder elan, o que causou nova descida acentuada das exportações dos EUA e contribuiu para deprimir ainda mais o crescimento. Este processo recessivo internacional que mutuamente se reforça é mais preocupante devido ao ponto a que as economias do resto do mundo, face a uma procura interna estagnante, se tornaram dependentes das exportações, nas duas últimas décadas, dependendo assim, também, de uma economia americana que, consequentemente, só pode contar consigo própria para sair da crise." (podem ler aqui o muito, muito interessante artigo do professor, na íntegra)

A intervenção estatal é obrigatória, como peso regulador de toda a relação comercial. Não temos que ter um Estado dominante, mas precisamos de um estado vigilante, com regras específicas que não permita novos abusos e desvairios especulativos do mercado. E há que punir os responsáveis pela situação que nos encontramos actualmente! O petróleo sobe, a gasolina sobe, as rendas sobem, os juros sobem. E ninguém regula isto? Impensável…

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Get Stupid

Setembro 25th, 2008 by Luis Miguel

 
É o nome da nova polémica de Madonna. Nada que não estejamos já habituamos da grande Rainha. Neste caso, "Get Stupid" é uma música/vídeo que passa durante o concerto da tournée Sticky and Sweet Tour, que recentemente esteve em Lisboa e, da qual eu fui um dos felizes 75 mil espectadores! Memorável!

Mas voltando ao que interessa, o vídeo, exibido sensivelmente a meio do espectáculo, consiste em dois blocos de imagens sob o título "Get Stupid (About saving the planet)". Uma Madonna politizada aparece ao som de uma remistura de "Beat Goes On" e "4 Minutes", cujas palavras tomam um novo sentido quando a cantora brinca com a antítese do bem e o mal.

Começa no lado "mau", com Hitler seguido do presidente zimbabuano Robert Mugabe; do primeiro ministro chinês Wen Jiabao; do ayatollah iraniano Khomeiny; do líder norte-coreano Kim Jong II e também do candidato republicano à Presidência John McCain (residindo aqui a grande polémica). Do outro lado, Madonna dá lugar à Aung San Suu Kyi (líder da oposição de Mianmar e Prêmio Nobel da Paz em 1991); Desmond Tutu (sul-americano, prêmio Nobel da Paz); Gandhi, Bob Geldof, Nelson Mandela, Martin Luther King, Madre Teresa, Michael Moore, Bill Estragar, Bono, John Lennon, Angela Davis (militante comunista e feminista americana que se tornou famosa com relação à defesa dos direitos civis do negro e da mulher na sociedade), Al Gore e por último, mas não menos importante, Barack Obama – mostrando quem Madonna apoia nas próximas eleições americanas.

O vídeo é assinado por Steven Klein. E é muito bom! Confiram de seguida.


Get Stupid (HQ) - Madonna - Sticky & Sweet Tour 2008

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You don’t need no education

Setembro 23rd, 2008 by Luis Miguel

 

Depois de na semana passada o presidente do conselho de reitores ter criticado fortemente a dotação do Orçamento de 2009 para o ensino superior, hoje foi a vez do Senado da Universidade de Lisboa acusar o Governo de "comercialização do ensino". O órgão máximo da Universidade aprovou uma deliberação em que acusa o governo de colocá-la "numa situação dramática" com a diminuição de 25% das verbas transferidas desde 2005, cujas "consequências quanto à qualidade do ensino, ao desenvolvimento de políticas estratégicas, aos recursos humanos e ao âmbito da sua actividade são facilmente previsíveis". Leia a notícia aqui.

É incrível como o Governo condiciona a vida das universidades, estimulando a práticas irresponsáveis de sub-orçamentação ou obrigando-as a medidas de ‘comercialização’ do ensino e de desqualificação do seu corpo docente. É ainda mais incrível quando se sabe que estão disponíveis vários biliões de euros para obras como a OTA/Alcochete e o TGV. Se calhar percebo: estão a investir num ensino globalizante. Estão a criar vias e acessos mais rápidos às universidades… estrangeiras!

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A verdade dos combustíveis

Setembro 23rd, 2008 by Luis Miguel

 
A Antena 1 e o Jornal de Negócios fizeram as contas às variações do petróleo e dos produtos refinados nos mercados internacionais nos últimos 12 meses e compararam-nas com o preço que se paga nos postos de abastecimento. No caso da gasolina, a diminuição do preço que ocorreu à meia-noite nos postos de abastecimento já reflecte a actual cotação nos mercados internacionais. Quanto ao gasóleo, há condições para que o preço possa descer ainda mais.

O problema está no ‘intermédio’ e no lucro obsceno que as gasolineiras fizeram à nossa custa. E tudo sem um tubinho de vaselina para ajudar…

Oiça agora a reportagem da Antena 1, com o jornalista Daniel Belo..

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A Semântica do Casamento

Setembro 22nd, 2008 by Luis Miguel

 

Entre variadíssimas discussões no seio político de Portugal, há uma que se tem destacado nos últimos dias - o casamento civil homossexual.

Tudo começou no dia 1 de Fevereiro de 2006 com a apresentação do projecto do Bloco de Esquerda, que pretende alterar o artigo 1577 do Código Civil, que define o casamento como um contrato “entre duas pessoas de sexo diferente”. Um mês depois, a 2 de Março, o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) entregou um projecto para legalizar o casamento entre homossexuais, também através de uma alteração ao artigo do Código Civil que estabelece a actual “noção de casamento”, que passaria a ter a seguinte redacção: “Casamento é o contracto celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante a plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código”.

Na semana passada, após reunião dos líderes parlamentares, fomos informados que a discussão no Parlamento dos dois projectos de lei, do BE e do PEV, havia sido agendada para o dia 10 de Outubro , quase dois anos depois da sua apresentação - o que não deixa de levantar questões curiosas sobre o timming da escolha.

Como não podia deixar de ser, a discussão que se seguiu não foi sobre a pertinência sobre a votação, sobre a importante mudança que revestirá as uniões na sociedade civil portuguesa, mas sim, sobre disciplina de voto! Mais precisamente se os deputados socialistas tinham ou não que votar de acordo com as directrizes superiores do secretariado geral do partido (eis uma das razões pelas quais nunca me filiei em partido algum - gosto muito da minha liberdade de pensamento e de decisão sobre matérias importantes para mim… é uma panca que eu tenho, vá lá saber-se porquê!).

Logo à partida lê-se que o PS pede disciplina de voto enquanto que o PSD dará liberdade aos seus deputados. Posteriormente ficamos a saber que a proposta da direcção do Grupo Parlamentar do PS foi mal aceite no seio do partido. Para por água na fervura, o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, vem dizer que os socialistas ainda não decidiram se há disciplina de voto no casamento homossexual. Hoje a Juventude Socialista (JS) deita a casa abaixo e por entre críticas à proposta do Grupo Parlamentar anuncia a sua desistência de agendar proposta sobre casamento homossexual na actual legislatura. E assim anda o partido que nos governa…

Na verdade, este é um tema que já cansa. Até porque, ao fim de algum tempo, mais do que o conteúdo, acabamos a discutir semântica. Os homossexuais querem casar-se porque acham que devem ter esse direito. Os opositores acham que o casamento deve estar unicamente reservado aos casais heterossexuais. Mas alguém já parou para pensar um pouco? Mas afinal que objectivos são aqui pretendidos? Que pretendem os homossexuais com a legalização do casamento para pessoas do mesmo sexo? E porque é que isto faz tanta comichão aos heterossexuais? Eis a verdadeira questão - a semântica do casamento.

Mas afinal o que é o casamento? Define-o o artigo 1577º do Código Civil como um "contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste Código". Ou seja, é acima de tudo, um contrato regulador de uma união estável, duradoura, onde existe comunhão de vida (leito, mesa e economia comum), entre duas pessoas.

Com esta previsão civilística pretende-se salvaguardar as partes intervenientes e terceiros de boa fé (cf. art. 1600º e seguintes do CC) - impedindo que dois irmãos, ou pai e filha, se casem; questões sobre invalidade, anulabilidade ou nulidade do contrato (cf. art. 1625 e seguintes do CC); e, sobretudo, efeitos quanto ao património das partes (cf. art. 1671º e seguintes do CC).

E é neste ponto que o "contrato de casamento" atinge a sua plenitude e onde reside (ainda) a grande diferença para a união de facto. A comunhão de vida, que é o casamento enquanto estado, deve existir no duplo plano pessoal e patrimonial. A disponibilidade de cada um dos cônjuges perante o outro, que é o reflexo do amor e de consubstancia a comunhão de vida, deve ser uma disponibilidade da pessoa e dos bens de cada um dos cônjuges. Assim, cada casamento como estado está submetido a um regime de bens, ou seja, a um estatuto que regula as relações patrimoniais entre os cônjuges e entre estes e terceiros.

Mas agora sejamos honestos. Intelectualmente honestos. Altere-se as parcelas. Equipare-se o sexo dos intervenientes. Alguém é capaz de afirmar que um casal do mesmo sexo não merece as mesmas regras de segurança previstas na lei civil para esse "contrato" de união? Que impeçam incesto e uniões de parentesco? Que protejam o património individual e o comum gerado pela união? Que garantam a subsistência e os direitos de sucessão após a morte de um dos companheiros? Penso que não. Quero acreditar que não. Então porque é que existe uma oposição tão grande ao casamento homossexual?

Não podemos minimamente ignorar que Portugal é um país assumidamente católico, cujas noções e ensinamentos estão profundamente enraizados na fibra social. Por esta razão, também não podemos ignorar que a noção "casamento" está intimamente ligada com o fervor religioso. E, como todos nós sabemos, o homossexualismo não é muito bem visto entre as hostes que praticam a política da Santa Sé. Ponto assente, é claro que as pessoas não querem ver a "palavra" casamento associada a práticas condenadas pela Igreja. Pelo que terá que ser, obrigatoriamente, levantada a seguinte questão: sendo o Estado Português um estado laico - que não professa qualquer religião - como poderá impedir que duas pessoas que vivam numa união estável, duradoura, onde existe comunhão de vida, economia e património, tenham acesso às garantias, direitos e deveres preconizados para o tal cenário? Para o tal contrato de casamento?

Deixo a minha proposta: mude-se o nome do casamento civil. Chame-se outra coisa qualquer: "relação de união", "união", "relação civil", "união civil", o que quiserem. Altere-se o disposto no artigo 1577º do CC, abolindo-se a diferença de sexos. E garanta-se que o Estado defenderá os seus cidadãos, independentemente da preferência sexual que assumam (direito consagrado na Constituição da República Portuguesa). E reserve-se então o "casamento" para a prática religiosa.

No fundo, deixemos de discutir semântica e passemos aos assuntos verdadeiramente importantes.

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