Archive for Fevereiro, 2009
Ledger Póstumo
Enquanto nós reclamamos (e com justiça) pela falta de filmes de qualidade nas salas de cinema da Madeira (ou quando chegam, chegam tarde e à más horas), outra polémica promete nascer do lado de lá do Atlântico.
«Quando, na madrugada da passada segunda-feira, a Academia de Hollywood atribuiu o Oscar de Melhor Actor Secundário ao australiano Heath Ledger, a título póstumo, pela sua participação no mais recente “Batman”, os familiares do actor recordaram que há ainda um último filme de Ledger para ver: "The Imaginarium of Doctor Parnassus", realizado pelo ex-Monthy Python Terry Gilliam, já tem estreia marcada no Reino Unido para o próximo Verão, mas pode não chegar a ser visto nas salas norte-americanas.»
O filme ainda não encontrou distribuidor nos EUA, aparentemente porque se temer que seja um fracasso de bilheteira, a despeito da atribuição do Oscar a Ledger. Os produtores receiam que “The Imaginarium of Doctor Parnassus” seja um filme demasiado artístico e, portanto, pouco apelativo para os fãs conquistados pela actuação de Ledger como Joker. E apesar de contar no seu elenco de nomes como Jude Law, Colin Farrell, Johnny Depp, Cristopher Plummer e Tom Waits.
Francamente. Até custa a crer como somos dominados pelas distribuidoras. Felizmente que há a Internet. Depois venham reclamar!
A festa dos Óscars
Nestes dias conturbados, o mundo não parou. E enquanto o Orlando dizia adeus a este mundo, do outro lado do Atlântico realizava-se um dos mais esperados espectáculos do mundo – os Óscares.
A Academia prometeu inovações. E cumpriu. A começar pelo apresentador. Hugh Jackman foi o surpreendente mestre de cerimónias da 81ª edição dos prémios mais cobiçados da industria cinematográfica. E com ele, cantou-se e dançou-se ao melhor estilo da Broadway, dando vida, cor, ritmo e alegria ao espectáculo. O dueto com Beyonce foi claramente um dos melhores momentos da noite, já madrugada em Portugal.
Esta edição foi também a consagração de "Slumdog Millionaire" de Danny Boyle. Das 10 nomeações conseguiu 8 estatuetas, entre elas a de melhor filme e realizador. Um feito enorme para uma pequena produção que quase não via a luz dos projectores. Mesmo com a concorrência do excelente filme de David Fincher, "O Estranho Caso de Benjamin Button", o sabor indiano foi convincente para a Academia. E foi para mim também. É igualmente uma vitória para o cinema independente.
Nas estatuetas para melhor actor e actriz, pesos pesados gladiavam-se pelo pódio. Entre favoritos e menos favoritos, à sexta tentativa, o óscar foi para Kate Winslet. Ainda não vi o "The Reader" mas vi as concorrentes. Meryl Streep (Doubt) e Angelina Jolie (Changeling) estão fantásticas. Mas já as vimos nestes registos. Igualmente já foram consagradas com este prémio. Anna Hathaway e Melissa Leo eram estreantes nestas andanças, pelo que o caminho estava mesmo aberto para Winslet. E assim foi. Merecido.
Sean Penn foi para mim a maior surpresa. Brad Pitt (Benjamin Button) e, sobretudo, Mickey Rourke (The Wrestler) eram os mais falados. E, de facto, Randy "The Ram" Robinson é uma das personagens mais interessantes e cativantes dos últimos anos. Rourke deixa tudo lá. Alma e coração. É com pena que não o vejo premiado. A Academia preferiu Harvey Milk, o primeiro político norte-americano assumidamente homossexual e defensor das causas gay. Foi um papel de risco de Penn e, como sabemos, muito apreciado pela Academia.
Apesar da concorrência de peso, Josh Brolin (Milk), Robert Downey Jr. (Tropic Thunder), Philip Seymour Hoffman (Doubt) e Michael Shannon (Revolutionary Road), confirmou-se o favoritismo de Heath Ledger, com o seu fantástico Joker em "The Dark Knight". Em 2006 foi Hoffman que ganhou a Ledger, apesar do extraordinário papel em "Brokeback Mountain". Desta vez os papeis inverteram-se. Justíssimo, na minha opinião.
Torcia pela Marisa Tomei (The Wrestler). Verdade seja dita, este foi um dos meus filmes favoritos do ano (juntamente com WALL-E). E apesar de ter gostado dos registos de Amy Adams e Viola Davis (Doubt), com Taraji P. Henson (Benjamin Button) a correr por fora, a Marisa Tomei tinha-me cativado. Mas o prémio foi para Penelope Cruz. Eu ainda não vi o filme, mas dizem que a mulher está sensacional. Acredito. Este Oscar atribuído à actriz espanhola Penelope Cruz, depois de Bardem o ter conseguido o ano passado, é uma grande vitória para o cinema espanhol.
Foi uma noite bem passada. Foi uma cerimónia bem mais musical que o habitual, com uma feliz renovação do formato. E vários momentos marcaram a noite. Antigos vencedores subiram ao palco e fizeram da entrega das estatuetas mais significativas grandes momentos. A emoção na entrega do prémio póstumo a Heath Ledger. O Óscar por mérito a Jerry Lewis, num reconhecimento pela entrega ao cinema e a causas humanitárias. A projecção de inúmeras caras falecidas o ano passado com destaque para Paul Newman, ao som da voz de Queen Latifah. Fez-se magia no Kodak Theater. Magia do cinema.
Veja aqui a lista completa dos vencedores.
Até à vista, meu amigo
Esta é provavelmente a notícia mais triste que já coloquei aqui no Cantinho. Ontem, faleceu o Orlando. Todos que convivíamos com ele interiormente sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, este dia chegaria. Foram muitos anos a lutar contra a inevitabilidade do destino, muitos anos a enganar a morte. E o Orlando fê-lo sempre com um sorriso nos lábios e uma palavra espirituosa. E apesar de viver assolado de dores, incapaz de juntar-se a nós num simples jogo de bola, nunca desarmava e enfrentava as adversidades com bravura que nos deixava desconcertados.
Mas o dia chegou. O Orlando desta vez não resistiu, fechou os olhos e partiu. Deixou-nos a todos. E isso custa. Mas não nos deixou de mãos vazias. O corpo parte mas deixa nos seus amigos a sua lembrança de dias melhores. Deixa um rapazito cheio de vida, o seu maior feito, que crescerá a lembrar o pai. Deixa-nos com um sorriso de viver, acreditando que vale a pena lutar para viver e que cada segundo que respiramos deve ser encarado como uma bênção e uma oportunidade de marcarmos a diferença.
Descansa em paz meu amigo. Vai jogar à bola aí em cima. Salta, pula, faz tudo o que o teu corpo não te deixou fazer cá em baixo. Não te digo adeus. Digo até à vista.
A estranha vida de Roberto Saviano
(Roberto Saviano, autor de Gomorra)
Desde que a máfia napolitana o ameaçou de morte pelo seu livro Gomorra, Roberto Saviano não pode dar um passo sem guarda-costas. A Visão passou um dia com o escritor que, aos 29 anos, diz ter o destino traçado.
"Disseram-me que o TNT é o pior, mas tenho mais medo de balas. Sei que me vão fazer pagar, está escrito. Convivo tanto com isso, que já nem me assusta. Quanto chegarem, chegaram…". "Em parte, eles ganharam, por me fazerem viver assim. Mas, por outro lado perderam. No Facebook há milhares de jovens que discutem a Camorra. Destruíram a minha vida, mas o que eu fiz já não é meu. É das crianças."
Um dia com um dos homens mais ameaçados do planeta. Vale a pena a leitura.
In Visão, n.º 832, 12-18 Fevereiro 2009
Uma regra simples
Vejam se percebem de uma vez por todas… ROTUNDAS CONTORNAM-SE POR DENTRO!! Será assim tão difícil de perceber isto?
As Pistas mais assustadoras do mundo!
O aeroporto de Paro, no Butão, é considerado o mais assustador do mundo. (Foto: Johan)
Li recentemente que o Aeroporto Internacional da Madeira figura em nono lugar no ‘Top ten’ da lista das pistas mais assustadoras do mundo. Este "galardão" foi concedido por uma das mais famosas e antigas agência noticiosa Reuters, numa notícia publicada na semana passada. Para justificar esta classificação, a agência lembra que os pilotos são especialmente treinados para aterrar na pista madeirense, a qual obriga uma aproximação semelhante ao movimento descrito pelos ponteiros do relógio. Aterragem que decorre num cenário dividido entre uma zona montanhosa e o Oceano Atlântico.
Eis a lista completa:
1- Aeroporto de Paro, no Butão
2- Princess Juliana International Airport, na ilha de Saint Maarten, nas Caraíbas;
3- Regan National Airport, em Washington, Estados Unidos;
4- Aeroporto de Gibraltar, em Gibraltar;
5- Matekane Air Strip, Lesoto;
6- Barra Airport, na Escócia;
7- Toncontin Airport, Tegucigalpa, Honduras;
8- John F. Kennedy Internacional Airport, em Nova Iorque;
9- Aeroporto Internacional da Madeira, Portugal;
10- Juancho E. Yrausquin Airport, em Saba, nas Antilhas holandesas.
Boas viagens!
Oasis!
Domingo passado fui ver os Oasis. E verdade seja dita, a banda britânica está como o vinho do Porto – cada vez melhor com a idade. Eles chegaram a Lisboa, em plena tour europeia, com provavelmente o espectáculo mais consolidado que alguma vez já apresentaram, juntando temas antigos e emblemáticos com as mais recentes de «Dig Out Your Soul», num equilíbrio profissional absolutamente exemplar.
E deu para tudo. Desde a versão acústica de «Don´t Look Back In Anger» com o refrão cantado pelas 10 mil pessoas presentes no Pavilhão Atlântico, a revivência de «Wonderwall», «Champagne Supernova» e «Morning Glory», uma passagem de testemunho pela fantástica «Lyla» e «The Importance of Being Idle», para esta nova fase dos Oasis com «Falling Down», «I’m Outta Time» e a magnífica «Shock of the Lightning».
À música juntou-se um dos melhores espectáculos de Vjing que eu já vi: imagens, animações e captações ao vivo da própria banda e do público, numa reverência a fazer lembrar os saudosos Monty Python ou as paisagens psicadélicas dos Pink Floyd. Tenho fotos giras do concerto, mas ainda não tive tempo de organizar. Em breve, prometo.
Uma palavra de destaque também para os Free Peace, nascidos em 2008 dos bares de Liverpool, com um forte cunho dos Cream (lembram-se?) e dos próprios Led Zeppelin, que deixou no ar a vontade de conhecer mais! Esperemos pelo primeiro álbum do grupo. Fixem este nome. Vamos ouvir falar deles mais vezes.
Ah, é verdade. Antes que me esqueça. José Mourinho, se estiveres a ler isto, o Noel pede para ires treinar o Manchester City. És o melhor do mundo e eles têm saudades tuas em Inglaterra. Pronto, recado transmitido.
Os Simpsons em HD
“Os Simpsons” chegaram à alta definição (HD). Para marcar a inauguração do novo formato, a famosa série televisiva estreou ontem nos EU um novo genérico. “O HD vale cada cêntimo” é a frase que Bart escreve como castigo no quadro da sua sala de aulas. A frase que muda de episódio para episódio, desta vez patenteia a inovação introduzida em “Os Simpsons”.
E este é só um dos inúmeros pormenores presentes no novo genérico da série, que permanecia igual desde que a família amarela foi pela primeira vez apresentada ao mundo em 1989. Disponibilizado pela “Fox” no YouTube dois dias antes de ser exibido o vídeo conta já com quase um milhão de visitas.
Apesar de manter a essência, os cerca de dois minutos da introdução estão cheios de detalhes feitos para atrair a vasta audiência que religiosamente segue a série, como a inclusão de muito mais personagens e referências a episódios anteriores. Logo na sala de aulas de Bart, é possível ver uma fotografia de Homer quando foi ao espaço. Seguem-se as outras peripécias do famoso genérico, entre as quais o percurso que Bartholomew JoJo Simpson faz de skate. Agora a “gincana” de Bart é constituída por mais personagens, como por exemplo, o seu arqui-rival Sideshow Bob, ou Apu e os oito gémeos. O avô Simpson também ganha destaque no novo genérico ao acompanhar Marge e Maggie no carro a caminho de casa. No final, no habitual “gag” (momento de comédia visual) em que a família se reúne em casa para se sentar no sofá, os Simpsons têm de perseguir o sofá por São Francisco, Veneza, Índia e pelo espaço.
Galardoada com 24 Emmy, a série criada por Matt Groening vai já na sua vigésima temporada. Enquanto os novos episódios não chegam a Portugal, vejam aqui o novo genérico da série:
“Advogado do teatro” in DN
Hoje na Revista do Diário de Notícias veio uma entrevista… comigo! Por acaso até ficou porreira. Não me posso queixar. O meu obrigado ao Duarte Azevedo. Se alguém quiser espreitar é só ler aqui. Se ainda não estiver registado no site do DN aproveite agora. Não custa nada.
















