(Foto: Jornal de Notícias)
Os Tokio Hotel só sobem amanhã ao palco do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, mas desde o passado dia 24 que há adolescentes acampados junto à sala de espectáculos para conseguirem um lugar na primeira fila do concerto para o qual já têm bilhete. A maioria são raparigas, e menores de idade, e vêm dos mais variados locais do país e do estrangeiro. No entanto, sem condições de higiene e segurança, o grupo acabou por ser obrigado pela Polícia a deixar de pernoitar no local, depois de se terem verificado assaltos e agressões.
As histórias são muitas e todas alvo de reportagens dos vários orgãos de comunicação social. Das reportagens que passaram nas televisões destaco três. Quando questionada pelo jornalista acerca da reacção dos pais, uma jovem referiu que a mãe apoiou a intenção de montar arraiais no Pavilhão e até exclamou “ai vocês são tão malucas”. Um rapaz dizia que até se sentia “um bocadinho mal” por estar ali, já que os pais, que moram em Paris, vinham “de propósito” a Portugal para estar com ele no Domingo de Páscoa. Outra confessa que o pai está um “pouco nervoso” porque não lhe quer deixar ali sozinha, mas a mãe está muito descansada. “Ela confia muito em mim”… diz Carina, de 11 anos!
Lidar com adolescentes não é fácil, sobretudo quando as hormonas andam aos saltos. E quando se adiciona uma historia global à volta de um ícone, nesta caso a banda alemã, só pode dar porcaria. Mas ainda assim é revelador do ponto a que chegou a educação neste país. E se adicionarmos os inúmeros relatos de violência nas escolas, as cenas degradantes que habitualmente se vêem nas praxes ou nas queimas das fitas das universidades, temos razões mais do que suficientes para ficarmos preocupados. Neste caso concreto, sempre existiram bandas que suscitaram grandes paixões e fãs adolescentes que consolidaram este tipo de fenómenos, mas não deixa de ser surpreendente que os pais permitam este tipo de comportamentos a miúdos de 11 ou 12 anos.
Num tempo em que toda a gente anda muito atarefada, assistimos impavidamente à uma constante e crescente desresponsabilização dos pais de uma tarefa que só a eles compete. É com certeza mais fácil, mais prático e menos incómodo, deixar as crianças e adolescentes fazerem o que querem, e quando querem, do que impor regras e disciplina. Mas este não é um bom caminho, pois não os prepara para a vida. Estamos a criar pequenos monstros egocentricos, egoístas, incapazes de reconhecer o valor do trabalho e do custo do dinheiro, de lidar com as frustrações, simplesmente porque não aprenderam que não se pode ter tudo o que se quer, na altura em que se quer. Na verdade, os verdeiros culpados são os pais, e tenho a certeza que grande parte dos problemas resolver-se-ia em casa, assumissem estes aquilo que empurram para as escolas: serem verdadeiros educadores dos filhos.
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