Fevereiro 13, 2010 - 3:10 am
(Imagem: jornal “Sol”, 12.02.2010)
Como prometido o Sol noticiou hoje o «esquema» do Governo para criar novo grupo de media, o que esteve em risco de não acontecer, devido a uma providência cautelar interposta por Rui Pedro Soares, administrador da Portugal Telecom.
«O polvo», como escreve o Sol, pretenderia controlar a TVI, através da Portugal Telecom, mas também lançar um novo grupo de media. O plano passaria pela entrada da PT num dos grandes grupos de comunicação – Impresa, Cofina ou Controlinvest, estendendo-se ainda ao Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF.
O procurador Marques Vidal, no seu despacho sobre as escutas do caso «Face Oculta», que estava em curso um «esquema» para interferir em vários órgãos de comunicação social, visando claramente a obtenção de benefícios eleitorais. O magistrado conclui no seu despacho, que fundamenta as primeiras certidões extraídas do processo, que qualquer um destes negócios resultaria em prejuízos económicos para a PT que previsivelmente seriam ‘pagos’ com favores do Estado ou no mínimo colocariam os decisores políticos na dependência dos decisores económicos, defendendo assim a abertura de um inquérito autónomo.
O procurador entende que se tratam de situações que atentam contra o Estado de Direito e em que o Governo estaria directamente envolvido, que incluiria ainda Henrique Granadeiro e Zeinal Bava (PT), Nuno Vasconcelos (On Going) e José Eduardo Moniz, o antigo director-geral da TVI. Os socialistas Paulo Penedos e Rui Pedro Soares seriam os pivots do «esquema».
O juiz de instrução de Aveiro reforçou o despacho de Marques Vidal, autorizando, segundo o Sol, que fosse instaurado um processo-crime autónomo pela Procuradoria-Geral da República. Até agora, não se concretizou.
No final do Conselho de Ministros, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, comentou a divulgação de mais escutas do processo Face Oculta, reveladas hoje pelo “Sol”, apontando que “as escutas divulgadas não permitem, de forma alguma, tirar essa conclusão absolutamente falsa e fantasiosa”, sendo “é absolutamente falsa a ideia de que o primeiro-ministro ou o Governo tenham tido qualquer plano para controlar a comunicação social. Isso já foi desmentido formalmente pelo próprio primeiro-ministro”. Como se fosse de esperar outra coisa deste Governo. Mas já se ouvem vozes a reclamar a cabeça de Sócrates. Outras, diferentes das habituais. No PS reina agora um défice de explicações. E no Governo, um milhão delas.
Agora ninguém pode fugir a esta pergunta: como pode José Sócrates permanecer como Primeiro-ministro?
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