Cantinho do Mundo

daqui para aí…

Category : Reflexões

Isto é uma selva lá fora…

 
(Foto: EPA)

Isto é tragédia, atrás de tragédia. Sobretudo na estrada. Não me recordo de tantos acidentes em tão curto espaço de tempo. Ainda na semana passada uma amiga teve um acidente que felizmente escapou “apenas” com um nariz partido e algumas equimoses. Podia ter sido bem pior. Hoje assisti a um acidente de mota que não vaticino nada de bom para o condutor, que ficou muito maltratado. Agora à noite chego a casa e deparo-me com o maior acidente do ano nas estradas portuguesas!

Pelo menos seis pessoas morreram em dois acidentes, esta tarde, perto do nó de Talhadas, na A25, em Sever do Vouga. Incendiaram-se vários veículos e foram contabilizados cerca de 70 feridos, 24 dos quais em estado grave. De um dos acidentes – um choque em cadeia que se deu pelas 16h10 – resultou o incêndio de pelo menos 12 viaturas (dois pesados e dez ligeiros), em circunstâncias que ainda não foram apuradas mas que, segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Aveiro, deverão estar relacionadas com “as primeiras chuvas” e com o nevoeiro que se verificou na região durante todo o dia.

Depois são as cheias na China, os incêndios na Rússia… isto anda bonito…

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(Foto: ColomboPress)

Um morto, dois feridos muito graves e um cenário de pânico generalizado, é o dramático balanço da queda de uma palmeira centenária, em pleno centro da Vila Baleira, ontem no Porto Santo, onde o PSD realizava a sua habitual rentrée política.

Já hoje, o presidente da Câmara do Porto Santo, Roberto Silva, afirmou que a queda da palmeira tinha as “raízes completamente podres“. Perante tal conclusão só posso fazer minhas as palavras de Raimundo Quintal que, disse hoje, que a queda de uma palmeira representa “negligência e falta de cultura de prevenção“.

Definitivamente um annus horribilis para a Madeira. Bruxa ou caso de desleixo natural? Só o tempo o dirá…

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(Foto: NASA)

Quatro dias depois do fogo ter queimado em instantes quase toda a sua vegetação e cinco anos de trabalho de muitos voluntários que acreditaram no retorno da biodiversidade àquele pequeno planalto localizado no rebordo oriental do maciço encimado pelo Pico do Areeiro, o Prof. Raimundo Quintal regressou ao Campo de Educação Ambiental do Cabeço da Lenha e fotografou tudo o que viu.

O ambiente era silencioso, esmagadoramente negro e com odor a morte. Em toda a cordilheira central, até quase perder de vista, tudo está negro com excepção da esfera branca do radar, que definitivamente é a marca dum pico desfigurado.

As fotografias abaixo, mais do que as quaisquer palavras, mostram como a malvadez de alguns seres desumanos, ajudada pela inexistência duma cultura de prevenção podem, em poucas horas, provocar graves rupturas nos ecossistemas desta pequena ilha e aumentar significativamente o risco duma cidade rasgada por três ribeiras.

Seis meses após as cheias repentinas e mortíferas de 20 de Fevereiro, a Ilha da Madeira ficou ecologicamente muito mais pobre e com um futuro económico sombrio, não porque a Natureza tenha sido madrasta, mas, bem pelo contrário, porque foi cobardemente queimada.

Depois de tudo o que aconteceu nos dias 13 e 14, não se poderão continuar a cometer os mesmos erros e a eleger o clima como bode expiatório. É tempo de debater sem complexos “A Protecção Civil e a Gestão das Florestas”. Aos responsáveis políticos desta Região, e especialmente a quem arrogantemente cultivou o discurso do domínio da Natureza, a sábia mensagem de Francis Bacon (1561 – 1626): “SÓ SE PODE VENCER A NATUREZA, OBEDECENDO-LHE”.

 
(Foto 1: Área ardida no Cabeço da Lenha e reacendimentos)

 
(Foto: Foto 2: Achada Grande)

 
(Foto 3: Pico do Radar / Pico do Areeiro)

 
(Foto 4: Vale da Fajã da Nogueira – esta era uma das vistas mais bonitas da Madeira)

 
(Foto 5: Por entre os esqueletos das urzes há imensas garrafas)

 
(Foto 6: Poço da Neve com o Funchal em segundo plano)

 
(Foto 7: Ficou assim a plantação da Associação dos Amigos do Parque Ecológico)

 
(Foto 8: Pico Cidrão, Pico Grande, Pico Jorge – tudo queimado)

 
(Foto 9: Vale da Ribeira do Cidrão -tudo ardido até ao Curral das Freiras)

 
(Foto 10: Pico do Radar / Pico do Areeiro)

 
(Foto 11: Miradouro do Ninho da Manta e Pico do Gato)

 
(Foto 12 – O verde desapareceu entre o Areeiro e o Pico Ruivo)

 
(Foto 13: Entre o Pico das Torres e o Pico Ruivo)

 
(Foto 14: Cabeceira da Ribeira de Santa Luzia)

 
(Foto 15: Ribeira das Cales – escorregamentos de 20 de Fevereiro e área ardida a 13 de Agosto)

 
Todas as fotos: Prof. Raimundo Quintal

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Justiça “io-io”

 
(Foto: G1.com)

Um ano e uns meses após a entrada em vigor do novo regulamento das custas processuais, o Governo prepara regresso ao modelo anterior, sem alterar os custos. Será o retorno às taxas de justiças iniciais e subsequentes…

Depois do volte-face na questão das férias judiciais, agora mais um retrocesso na questão do pagamento da taxa de justiça única – que, na realidade, até era algo que aos poucos já se ia ultrapassando. Aparentemente, para voltarmos ao mesmo regime, mas com os valores actuais?

De que serve isto tudo? Que começarmos a nos preocupar com aquilo que realmente vai mal no processo de justiça deste país?

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Vida selvagem decresce em África

 
(Foto: daqui)

A população de mamíferos de grande porte decresceu em média 60% nos parques nacionais de África nos últimos 40 anos, segundo um estudo divulgado na segunda-feira.

Um grupo de cientistas responsável pela investigação alertou que em certas áreas protegidas, como Masai Mara (Quénia) ou Serengeti (Tanzânia), não estão a ser preservadas espécies de mamíferos como leões, girafas ou zebras, que se mantêm ameaçadas pelos caçadores furtivos. O problema é especialmente grave no Oeste africano, onde as populações de mamíferos se reduziram em cerca de 85%, de acordo com o estudo do grupo de peritos da Sociedade Zoológica de Londres e da Universidade de Cambridge, divulgado na revista ‘Biological Conservation’.

Do outro lado do continente, na zona Este, existem parques nacionais visitados anualmente por milhares de turistas, onde o número de mamíferos de grande porte se reduziu para quase metade. Isto deve-se, explicam os investigadores, ao aumento do número de pessoas a viver nesta zona, contribuindo para uma devastação dos recursos.

Faz-me lembrar uma frase de um filme famoso: “os humanos são como os vírus“…

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O número cresce…

 

Ao longo dos últimos 12 meses, uma média de 243 pessoas por dia ficaram sem posto de trabalho em Portugal. Desde Abril do ano passado até Abril deste ano, as fileiras do desemprego foram engrossadas com mais 89.600 trabalhadores, segundo as contas feitas a partir dos dados do Eurostat.

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Daniel Cohn-Bendit ‘uncensored’!!

 

 
O eurodeputado dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, derramou a sua alma em pleno Parlamento Europeu, acerca da ajuda económica à Grécia. Dá com a ‘boca no trombone’, como se costuma dizer e ninguém o desmente. Mas aparentemente também ninguém lhe liga. O mundo é mesmo dos especuladores. Veja o vídeo.

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Make Fun, Not War!

 
Seis militares da unidade naval do Exército israelita combinaram terminar os três anos de serviço militar fazendo um vídeo musical, gravado em plena zona história da Cisjordânia. Planearam, terão treinado e executaram na perfeição a coreografia, apesar de armados e equipados com coletes à prova de bala, durante uma patrulha nas ruas daquela cidade histórica. Veja o vídeo.

 

 
Após a gravação, os militares colocaram o “hit” no You Tube, com o título “Rock the Casbah em Hebron”, para assim propagar o talento pela rede. Só mais tarde se aperceberam do erro, quando a dança de despedida foi interpretada por alguns cibernautas como um gozo aos palestinianos. “É uma piada à ocupação”, lê-se entre as reacções. Os soldados decidiram retirar o vídeo e informar os superiores. Depois de retirado, o vídeo foi novamente publicado por um outro utilizador, que mudou o título da dança dos militares para “É fácil rir da ocupação quando se é o ocupante”.

E assim se propaga um conflito…

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Muitos euros para Queiroz

 
(Imagem: Henrique Monteiro)

Isto é algo que o comum adepto do futebol nunca se lembra: os valores envolvidos por detrás do jogo. Reporta o Correio da Manhã que Carlos Queiroz vai encaixar mais de 800 mil euros pela campanha da selecção nacional no Mundial da África do Sul. No contrato que vigora entre o seleccionador e a FPF, e que só expira em 2012, consta uma cláusula que atribui ao primeiro dez por cento dos prémios pagos pela FIFA à instituição dirigida por Gilberto Madaíl. E, se nos quisermos ver livres dele, ainda teremos de pagar cerca de 3,2 milhões de euros para a ruptura do contrato.

Um negócio da China…

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O aluno ou o monstro?

 

 
No mês passado tive a oportunidade de ministrar umas pequenas aulas a uma turma de oitavo ano numa escola no Funchal, no âmbito de um projecto de empreendedorismo jovem. Logo à partida avisaram-me que se tratava de uma “turma especial”. Pá, são miúdos, que raio pode ser senão feromonas e excitação próprias da idade? – pensei eu. Afinal, tratavam-se de jovens alunos entre os 13 e os 16 anos. Mas, muito sinceramente, aquilo com que eu me deparei, deixou-me sobretudo muito preocupado.

Quando se ouve da boca de uma adolescente de 15 anos a afirmação que “gostava de ser enfermeira, mas isso nunca vai acontecer porque eu não vou chegar lá (…) portanto vou-me ficando por aqui…”, o que pensar? Quando se verifica que não há qualquer respeito pelo professor, onde se usa o telemóvel a torto e a direito, atira-se livros e canetas de um lado da sala para outro, levantam-se sem pedir licença, falam quando os outros estão a falar, e quando se verifica da parte do professor um tal desleixo que aquele já nem se importa? É uma realidade assustadora…

Embora eu não possa tomar este universo particular como a generalidade, a verdade é que variadas vezes oiço queixas de professores amigos, que confrontam-se com alunos sem hábitos de trabalho e sem espírito de sacrifício, onde é constantemente necessário recordar-lhes que numa aula não podem colocar os pés na cadeira da frente, nem usar bonés, que devem evitar sair durante a aula, que é costume colocar o dedo no ar quando querem falar, e que os telemóveis estão totalmente proibidos.

Será este o perfil do aluno do ensino básico, do aluno do ensino secundário e agora, do aluno do ensino universitário? Um tal “monstro” criado por esta nova “cultura de facilitismo”, por aquela ideia romântica tão apregoada no iniciada na década de 90 que defende que a aprendizagem tem de ser um prazer e não um esforço? Será o produto visível de uma política de educação que passou a privilegiar a nota em vez do saber, que veio promover a passagem obrigatória e a desvalorização do conhecimento.

Não sei o que o futuro reserva, mas o presente é já dramático… pelo menos para aqueles dezanove miúdos.

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