Exemplo de gestão
No final de 2008, as cinco empresas constituídas para operacionalizar investimentos do Governo Regional à margem do orçamento tinham um passivo de 664,2 milhões de euros, do qual 80% diz respeito a dívidas a instituições bancárias e outros tipos de empréstimos. A leitura das contas das empresas tuteladas por Cunha e Silva revela que pela primeira vez o passivo é 13% superior ao activo líquido das empresas, sendo claro que ao longo desta última década as empresa somaram um prejuízo de 98,5 milhões de euros, que resulta de sucessivos resultados negativos.
Sendo claro que as empresas efectuaram um investimento de 513,4 milhões de euros – um valor que explica os 531 milhões de empréstimos feitos junto da banca – a verdade é que os encargos financeiros decorrentes dos empréstimos contraídos, bem como as despesas de gestão e funcionamento tiveram como reflexo a descapitalização das empresas. Entre os indicadores a reter, destaque-se a circunstância de quatro das empresas – Porto Santo, Norte, Ponta Oeste e Metropolitana – terem os capitais próprios negativos, o que representa a falência técnica e a obrigatoriedade dos accionistas – governo e câmaras – injectarem dinheiro fresco.
A criação destas Sociedades representou uma oportunidade perdida, não em termos de desenvolvimento em betão – porque esse é visível em toda a ilha – mas pela não adopção de uma estratégia assente num desenvolvimento sustentado, considerando as realidades e especificidades locais. Pelo contrário, estas Sociedades de Desenvolvimento endividaram-se de um modo insustentável, construíram muitas obras megalómanas sem qualquer utilidade e viabilidade económica. O resultado está à vista.










