Mais do mesmo…

Julho 28, 2008 - 11:05 am 3 Comments

 

Uma vez por ano, o Chão da Lagoa fica mais laranja e os burros do parque passam o dia a ver hordas de militantes a trepar até ao habitual forrobodó da festa do PSD Madeira. Sem a presença da nova líder do PSD nacional, e com os "enviados" do Porto Santo à procura das suas passagens de regresso, subiram ao púlpito Nivalda Gonçalves, Miguel Albuquerque, Jaime Ramos e, claro, Alberto João Jardim. Mas vamos ao que importa.

As frases chave de Alberto João Jardim:

- "Há gente que não gosta do povo, prefere estar com a grande burguesia do eixo Lisboa-Cascais e a grande burguesia do Porto, mas esse não é o nosso PSD." (para Manuela Ferreira Leite)

- "O Estado português desapareceu da Madeira, só existe com as suas forças policiais e os seus tribunais. São forças de ocupação colonial." (para José Sócrates)

- "Em Portugal vive-se num socialismo selvagem, apoiado pela burguesia (…) que se mantém porque quem o poderia mudar quer é, às cinco da tarde, mudar de camisa e ir para casa ver televisão". – Alberto João Jardim

- "É um insulto os portugueses serem governados por Sócrates" – Alberto João Jardim

Jardim durante a semana prometeu que cumpriria os protocolos associados ao seu cargo e que o seu discurso seria a de um representante do Estado. E foi. Dentro dos parâmetros muito largos de um ‘bicho político’ chamado Alberto João Jardim. Afinal, só atacou o primeiro-ministro, a líder do seu próprio partido, os tribunais, a polícia, os funcionários públicos, os "boys" do PS, e por aí fora…

Se os restantes discursos até foram comedidos, dentro do possível, Jaime Ramos, com a sua habitual sensibilidade e delicadeza, deitou a casa abaixo. E, quando se dispôs a falar da possibilidade dos casamentos homossexuais até se engasgou. Coitado. Mas as suas maiores pérolas foram as que se seguem abaixo:

- "Quem quer ilhas no Atlântico tem de pagá-las, tem de sustentá-las."

- "O Estado não tem pago o que deve. Portugal tem de pagar a horas, se não vai ter uma acção de despejo dos madeirenses"

Depois disto? Que mais se pode dizer?

Eu não morro de amores por Lisboa e suas lides políticas. E o discurso do "paga isto, paga aquilo" igualmente já cansa, quer do lado de lá do mar, quer deste. O envenenamento promovido pelos órgãos de comunicação social (voz de sectores particulares ligados ao governo PS) é igualmente por demais evidente, como é evidente a dualidade de critérios e comportamentos para as Ilhas.

Mas, depois ouvimos barbaridades como as acima expostas, produzidas na nossa própria terra, e ficamos completamente desconcertados. Será que no mínimo alguém pensa do que diz? Quer dizer, andamos a apregoar (ou pelo menos, alguns andam) o sucesso da Madeira, a sua riqueza e evolução, para agora os membros mais altos da cúpula do Partido, atacarem o Governo porque não lhes dá mais dinheiro? Mas afinal a quantas ficamos?

Sou só eu que acha que isto não faz sentido nenhum? Ou a política é mesmo assim? Apresentar cartas, baralhar, voltar a baralhar para servir sempre as mesmas. Já cansa.

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3 Responses to “Mais do mesmo…”

  1. Unhanegra Says:

    Viram algum til por aqui!?

  2. anónimo Says:

    Crise? Qual Crise?
    Vejamos o que os dados oficiais dizem sobre a situação na Madeira:

    - perdeu 500 milhões em fundos da UE;

    - metade das explorações agrícolas desapareceram;

    - o volume de pescado diminuiu e a região é a 2.ª com menos pescadores;

    - a contrução diminui à média de 12,3% ao ano;

    - o número de falências aumentou 40%;

    - a taxa de desemprego atinge os 6,8%, o nível mais alto desde há 30 anos;

    - cerca de 22% da população, 22 mil madeirenses, estão na pobreza;

    - a divída pública regional é já 600 Milhões. Isto é 75% do PIB empolado, ou 95% do PIB real depois de descontado os 21% que se referem à Zona Franca;

    - em 2000 os impostos pesavam 56% nas receitas, em 2006 o peso dos impostos para os madeirenses era já de 65% e a aumentar;

    - IRS e IRC são cerca de 17% mais elevados do que nos Açores;

    - os produtos de 1.ª necessidade são mais caros devido ao modelo de gestão dos portos;

    - a gasolina sem chumbo 95 custa mais 12% do que nos Açores; a gasolina 98 custa mais 13,4%; o gasóleo rodoviário mais 43,5%; o gasóleo agrícola mais 63,3%; o gasóleo para as pescas mais 66,2%;

    - o ordenado minímo cresceu apenas 2% enquanto que cresceu 5% nos Açores.
    In http://farpasdamadeira.blogspot.com/

  3. Maria** Says:

    o quê? afinal a madeira não é um jardim ? pois não, a madeira É do jardim.: Mas disso já nós sabemos, que a madeir… http://bit.ly/aeDr9V

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